quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

A PRÁTICA DE PSICOTERAPIA DE JUNG

“Se hoje existe um campo, em que é indispensável ser humilde e aceitar uma pluralidade de opiniões aparentemente contraditórias, esse campo é o da psicologia aplicada. Isto porque ainda estamos longe de conhecer a fundo o objecto mais nobre da ciência – a própria alma humana. Por ora dispomos apenas opiniões mais ou menos plausíveis, ainda inconciliáveis.” Jung (1971)

A verdade é que na prática terapêutica deparamo-nos com diversas dificuldades, e muitas vezes só as entendemos mais tarde. Quando lemos Jung, deparamo-nos com o expoente máximo da humildade de quem faz da psicoterapia o seu modus vivendi. Em psicoterapia é aconselhável que o psicólogo não tenha objetivos demasiado precisos, pois como Jung refere, as grandes decisões da vida humana estão em regra, muito mais sujeitas aos instintos e a outros misteriosos fatores inconscientes do que à vontade consciente, ao bom senso, por mais bem intencionados que sejam. 

Desengane-se quem pensa que no contexto terapêutico pode traçar metas bem definidas, que pode impor um paradigma ou teoria pré-definida, pois o humano é imprevisível e a mente humana muito complexa. Podemos ter modelos inspiradores, mas nunca esconder nesses mesmos modelos as nossas frustrações como clínicos, isto porque não é o paciente que se molda ao paradigma ou teoria, mas sim o terapeuta ao paciente e à sua condição psíquica. 

Há momentos em que temos que nos servir de várias teorias, vários autores, vários estudos e mesmo assim podemos errar. Segundo Jung (com mais de 30 anos de experiência) e eu (com alguns anos de experiência, esperando um dia chegar aos 30), o psicoterapeuta pouco ou nada aprende com os sucessos, principalmente porque fortalecem os seus enganos. Os fracassos, ao invés, são experiências preciosíssimas, não só porque através deles faz-se abertura para uma verdade maior, mas também porque nos obrigam a repensar as nossas concepções e métodos.


 A incrível variedade das vidas individuais realmente exige constantes modificações no tratamento, muitas vezes introduzidas pelo próprio psicólogo de maneira totalmente inconsciente, sem que, em princípio, tenham a ver com a teoria que defende. (Jung) Irônico será dizer que Jung, não constitui um dos autores escolhidos para formar os psicólogos no nosso país. 

Por: Cristina Camões (inspirada num dos maiores psicoterapeutas da história da psicologia)

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