domingo, 21 de agosto de 2016

Eu cuido de todos. E quem cuida de mim?

Muitas vezes encontramos pessoas dispostas a cuidar de tudo e de todos, a qualquer hora, em qualquer lugar e sob qualquer circunstância. Guarda a dor no bolso e vai cuidar da dor do outro. Qual ferida esse curador esconde?

Dias e dias passados com aquele parente no hospital, vive cozinhando para várias pessoas, é sempre o primeiro a se oferecer para ajudar em um mudança de casa, na organização de uma festa, no cuidado com as crianças, é “pau pra toda obra”! É aquela mãe que vive só em função dos filhos; nada de fazer as unhas, arrumar o cabelo, comprar uma roupa nova. É mãe com dedicação exclusiva aos filhos. Tem também aquele que faz todo mundo rir, pois se preocupa em manter todos sempre com um alto astral. São pessoas que dedicam-se ao cuidado do outro. Você conhece alguém assim? Então esse texto é para você!

Que se dispor a cuidar das pessoas, dedicar-se, ser solícito, sejam atos admiráveis, disto não restam dúvidas. Estamos precisando de pessoas que se importam verdadeiramente com as outras, pois o mundo está lotado de pessoas egoístas e cheias de si. O problema é quando a dedicação ao outro é tanta que se esquece do cuidado de si mesmo. Além disso, quem precisa receber cuidados, precisa de alguém que esteja em boas condições física, psíquica e emocional. É preciso estar inteiro!

Quando o tempo está sendo ocupado sempre com o outro, deixa-se pouco ou quase nada de espaço para o cuidado consigo mesmo. Ao voltar-se o olhar para o externo, para o outro, desvia-se do olhar para dentro, para si mesmo. Então precisamos iniciar uma autoanálise: O que não pode ser visto? Há algo em mim que estou evitando? O que em mim é tão difícil de encarar? São perguntas que devem ser feitas para que se possa analisar como está sendo o cuidado com a própria vida. Essa vida tão única e passageira.

Por mais que a vida do outro seja muito importante, a própria vida também é. A própria ferida precisa ser cicatrizada. A realização pessoal, a felicidade, o bem-estar, não podem depender apenas do riso do outro, do conforto do outro, da qualidade de vida só do outro. Quando o outro se vai (e as pessoas vêm e vão), precisamos nos perguntar: O que resta de mim? O quanto de mim pode ser preservado? Cuidado? Qual é a minha identidade? Do que eu gosto, minha música preferida, o meu prato especial, meu filme favorito, meu passatempo aos finais de semana… Tudo isso são modos de saber quem somos, do que gostamos e qual a forma que sentimos que estamos cuidando de nós.

Em síntese, precisamos refletir: Gosto de cuidar do outro; isso eu já sei fazer bem. Agora preciso aprender a cuidar de mim, a gostar de mim, a me olhar, a me tratar com carinho e com respeito, a me amar. Eu tenho esse direito!


Autora: Bárbara Farias - Fonte: Contioutra

domingo, 26 de junho de 2016

Se precisa forçar, é porque não é o seu tamanho (anéis, sapatos, relacionamentos…)

Se precisa forçar, é porque não é o seu tamanho. Esta afirmação é válida para qualquer elemento que de alguma forma tenha que encaixar com você, sejam peças de vestimenta ou relacionamentos, amizades, etc. Imagino que a grande maioria dos leitores se identificarão com essa situação na qual você vê uma peça de roupa que gosta, entra para perguntar e respondem que o seu tamanho está esgotado. Então você pede um tamanho maior ou menor, para ver se dá sorte.

Muitas vezes nos empenhamos para que uma determinada coisa se encaixe a nós e não percebemos que, na verdade, está nos machucando. A inércia, as mensagens prejudiciais que a sociedade nos envia, as expectativas, as oportunidades… Tudo isso, traduzido em um relacionamento disfuncional, só pode ter um resultado: a dor.

O que origina isto é a falta de amor. Mas não qualquer tipo de amor, e sim o amor próprio especificamente. É um verdadeiro triunfo abrir os olhos para perceber que os bons sentimentos nunca se acompanham de submissão.

O amor não deve ser mendigado

O amor não deve ser mendigado, nem implorado. Se a pessoa não gostar de você, se empenhar para que goste é um suicídio emocional garantido. Não se pode esperar que aconteça um milagre e que o amor apareça. Muito menos podemos manter essas expectativas às custas da nossa saúde emocional e da nossa liberdade.

Nisto, a educação que recebemos tem muita culpa. Por exemplo, estamos cansados de filmes que fomentam a dependência e que atribuem a qualquer relacionamento a capacidade de superar qualquer tipo de obstáculo.

Isto não funciona assim. Um relacionamento que aperta e dói está impedindo você de crescer e está oprimindo a sua capacidade de respirar livremente. É quase tão simples como se estivermos nos afogando, é preciso sair da água. Agora, sair de um relacionamento tortuoso normalmente não é fácil e dá muito medo…

Cicatrizar as feridas que foram geradas tentando forçar o relacionamento


Existe uma realidade muito bonita com relação as pérolas que nos ajuda a ilustrar como podemos curar as feridas que surgiram de um relacionamento amoroso ou de uma amizade forçada. Vejamos como é isto…

A primeira coisa a saber é que uma ostra que não foi ferida de alguma forma não produz pérolas, pois a pérola é uma ferida cicatrizada. As pérolas são produto da dor, resultado da entrada de uma substância estranha ou indesejada no interior da ostra, como um parasita ou um grão de areia.

Na parte interna da ostra encontra-se uma substâncias lustrosa chamada de nácar. Quando um grão de areia penetra nela, as células de nácar começam a trabalhar e o cobrem com camadas e mais camadas, para proteger o corpo indefeso da ostra. Como resultado, forma-se uma linda pérola.

Sabendo disto, podemos nos apropriar deste processo em forma de metáfora. Cicatrizar as feridas não é nada fácil, mas é o único caminho que ajuda a fechar uma dolorosa etapa de nossas vidas.

Que o mundo vem abaixo, que estamos tocando fundo, que não vamos conseguir estabilizar a própria vida sem a presença dessa pessoa ou desse grupo de relacionamentos que tanto importava… Todas estas sensações são normais em situações de adversidade emocional.

Contudo, esta mesma “fraqueza” que tanto nos assusta pode ser usada para nos fortalecer. Para ilustrar isto vamos lançar mão da técnica chamada de Kintsugi que os japoneses usam para reparar peças quebradas. Esta consiste em recompor os pedaços das peças de cerâmica quebradas com ouro, de tal forma que o que estava quebrado agora se transforma na parte mais bela e forte do objeto em questão.
Se lançarmos mão da sabedoria oriental para compreender isto, entendemos que aquilo que nos fez sofrer também nos proporciona valor. E mais, a beleza das nossas feridas dependerá do que produzirmos em nosso interior e de como trabalharmos as nossas dores.

Atendendo a isto, é bom colocarmos empenho em bordar com ouro as lágrimas nas nossas vestimentas, aceitar a necessidade de fechar círculos, dizer adeus e não se complicar demais tentando vez após vez fazer caber um vestido que não serve.
Tentar reescrever um livro com uma história que já se mostrou sem futuro em outras ocasiões é enganar a si mesmo. Por isso precisamos ser conscientes de que uma ferida não consegue se curar se estamos emaranhados nela de forma constante.

Talvez fiquem as cicatrizes, sim, mas sempre poderemos exibi-las com orgulho e, acima de tudo, com total liberdade sem que nada nos aperte.