quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

RITALINA, a droga legal que ameaça o futuro.

É uma situação comum. A criança dá trabalho, questiona muito, viaja nas suas fantasias, se desliga da realidade. Os pais se incomodam e levam ao médico, um psiquiatra talvez.  Ele não hesita: o diagnóstico é déficit de atenção (ou Transtorno de Deficit de Atenção e Hiperatividade – TDAH) e indica ritalina para a criança.

O medicamento é uma bomba. Da família das anfetaminas, a ritalina, ou metilfenidato, tem o mesmo mecanismo de qualquer estimulante, inclusive a cocaína, aumentando a concentração de dopamina nas sinapses. A criança “sossega”: pára de viajar, de questionar e tem o comportamento zombie like, como a própria medicina define. Ou seja, vira zumbi — um robozinho sem emoções. É um alívio para os pais, claro, e também para os médicos. Por esse motivo a droga tem sido indicada indiscriminadamente nos consultórios da vida. A ponto de o Brasil ser o segundo país que mais consome ritalina no mundo, só perdendo para os EUA.
A situação é tão grave que inspirou a pediatra Maria Aparecida Affonso Moysés, professora titular do Departamento de Pediatria da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp, a fazer uma declaração bombástica: “A gente corre o risco de fazer um genocídio do futuro”, disse ela em entrevista ao  Portal Unicamp. “Quem está sendo medicado são as crianças questionadoras, que não se submetem facilmente às regras, e aquelas que sonham, têm fantasias, utopias e que ‘viajam’. Com isso, o que está se abortando? São os questionamentos e as utopias. Só vivemos hoje num mundo diferente de mil  anos atrás porque muita gente questionou, sonhou e lutou por um mundo diferente e pelas utopias. Estamos dificultando, senão impedindo, a construção de futuros diferentes e mundos diferentes. E isso é terrível”, diz ela.
O fato, no entanto, é que o uso da ritalina reflete muito mais um problema cultural e social do que médico. A vida contemporânea, que envolve pais e mães num turbilhão de exigências profissionais, sociais e financeiras, não deixa espaço para a livre manifestação das crianças. Elas viram um problema até que cresçam. É preciso colocá-las na escola logo no primeiro ano de vida, preencher seus horários com “atividades”, diminuir ao máximo o tempo ocioso, e compensar de alguma forma a lacuna provocada pela ausência de espaços sociais e públicos. Já não há mais a rua para a criança conviver e exercer sua “criancice.
E se nada disso funcionar, a solução é enfiar ritalina goela abaixo. “Isso não quer dizer que a família seja culpada. É preciso orientá-la a lidar com essa criança. Fala-se muito que, se a criança não for tratada, vai se tornar uma dependente química ou delinquente. Nenhum dado permite dizer isso. Então não tem comprovação de que funciona. Ao contrário: não funciona. E o que está acontecendo é que o diagnóstico de TDAH está sendo feito em uma porcentagem muito grande de crianças, de forma indiscriminada”, diz a médica.
Mas os problemas não param por aí. A ritalina foi retirada do mercado recentemente, num movimento de especulação comum, normalmente atribuído ao interesse por aumentar o preço da medicação. E como é uma droga química que provoca dependência, as consequências foram dramáticas. “As famílias ficaram muito preocupadas e entraram em pânico, com medo de que os filhos ficassem sem esse fornecimento”, diz a médica. “Se a criança já desenvolveu dependência química, ela pode enfrentar a crise de abstinência. Também pode apresentar surtos de insônia, sonolência, piora na atenção e na cognição, surtos psicóticos, alucinações e correm o risco de cometer até o suicídio. São dados registrados no Food and Drug Administration (FDA)”.

Enquanto isso, a ritalina também entra no mercado dos jovens e das baladas. A medicação inibe o apetite e, portanto, promove emagrecimento. Além disso, oferece o efeito “estou podendo” — ou seja, dá a sensação de raciocínio rápido, capacidade de fazer várias atividades ao mesmo tempo, muito animação e estímulo sexual — ou, pelo menos, a impressão disso. “Não há ressaca ou qualquer efeito no dia seguinte e nem é preciso beber para ficar loucaça”, diz uma usuária da droga nas suas incursões noturnas às baladas de São Paulo. “Eu tomo logo umas duas e saio causando, beijando todo mundo, dançando o tempo todo, curtindo mesmo”, diz ela.
Fonte: DM

5 comentários:

Anônimo disse...

NÃO A MEDICALIZAÇÃO DA VIDA!
EXCELENTE REFLEXÃO...
PARABÉNS!

Glaise Franco disse...

Sinto muito meu caro Ismael dos Santos, que vossa senhoria ainda esteja tão desatualizado sobre o tema TDAH. A propósito, sobre a matéria que o senhor cita da pediatra da UNICAMP foi gentilmente rebatida por um artigo de vários colegas médicos da mesma UNICAMP.
Sugiro, a fim de possa começar revendo seus conceitos, que acesse www.abda.org.br, feito por psicólogos, portadores de TDAH, familiares de portadores, médicos e professores. Lá você verá que diversamente do que diz zeu blog uma criança portadora de TDAH é repelida pelas demais, não consegue se enturmar, frequentemente desenvolve baixa auto-estima, etc.
Nunca é tarde para aprender, mas por favor, não preste um desserviço a crianças que são rechaçadas sem nem entender porque o são.
Obrigada.
Glaise Franco

xto disse...

Hoje a medicina está uma catástrofe. Pilula pra tudo. Os médicos se acham. Geralmente, resolvem apenas sintomas, sem se importar com as causas. Existem exceções. Mas o problema é exatamente este. A regra tem sido a maioria.
E quem lucra é a indústria farmacêutica. Daqui a pouco vamos estar igual a astronautas, alimentando-se de pílulas e morrendo de câncer. E viva meu arroz com feijão e couve.

Joel Vieira disse...

Eu sinceramente não entendi o comentário da senhora acima. O que eu li no texto não foi exatamente o que ela rebateu. Eu acredito que essa questão realmente merece mais atenção e discussão por parte dos profissionais da saúde, uma vez que, o metilfenidato vem sendo usado de maneira INDISCRIMINADA. Quais as consequencias disso? Os efeitos colaterais são maiores do que os "benefícios". Eu não sou contra o uso de nenhum medicamento, entretando sabe-se que só o uso do medicamento não cura o sintoma, apenas camufla. A psicoterapia e mudança de padrões familiares podem ser bem eficazes, e uma criança nao conseguir se enturmar e não saber o que elas são é um bom trabalho para um psicólogo não?

esdras disse...

realmente a ritalina acaba com as crianças ,trabalhei com um senhor que o filho dele usava ritalina desde pequeno ,o rapaz viciou no remedio ,era agitado ,ate que ano passado suicidou ,falta de carinho em casa ,os pais nao estao mais conversando com seus filhos ,colocam uma bába ,e pronto

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