sábado, 8 de novembro de 2014

Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade - TDAH

O Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade se caracteriza pela tríade de sintomas impulsividade, hiperatividade (velocidade na atividade física e mental) e dificuldade de manter a atenção. No entanto, comportamentos como agitação, correrias, falta de atenção em atividades que exijam concentração e que não tenham um atrativo especial, são características típicas da infância. 

O que distingue então uma criança com TDAH de uma criança que não apresenta esse transtorno é a intensidade, a frequência e a constância em que os 3 sintomas aparecem. Além disso, essas manifestações comportamentais devem aparecer em múltiplos contextos, sendo necessário observar se os sintomas causam comprometimento funcional em pelo menos dois desses contextos: escola, casa, trabalho; interferindo negativamente no funcionamento social e acadêmico. A dificuldade de manter a atenção diz respeito a baixa capacidade de concentração, fixação e consequente organização e finalização de uma determinada tarefa ou atividade. As crianças parecem não escutar o que lhes é dito. Trabalhos e atividades que requeiram concentração são facilmente negligenciados e, quando conseguem ser realizados, apresentam inúmeros erros.  

Segundo o DSM-IV (2001: 114), isso acontece porque o transtorno de déficit de atenção/hiperatividade pode subdividir-se em 3 tipos: 
“1 – Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade, Tipo Combinado – É quando 6 ou mais sintomas de desatanção e 6 ou mais sintomas de hiperatividade-impulsividade persistem há pelo menos 6 meses. A maioria das crianças e adolescentes com o transtorno tem o Tipo Combinado. Não se sabe se o mesmo é válido com adultos.
2 – Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade, Tipo Predominantemente Desatento – É quando 6 ou mais sintomas de desatenção (mas menos de 6 sintomas de hiperatividade-impulsividade) persistem a pelo menos 6 meses. A hiperatividade pode ainda ser uma característica clínica importante em muitos casos, enquanto outros são mais puramente de desatenção.3 – Transtorno de Déficit de Atenção/ Hiperatividade, Tipo Predominantemente Hiperativo-Impulsivo – é usado quando 6 ou mais sintomas de hiperatividade-impulsividade (porém menos de 6 sintomas de desatenção) persistem a pelo menos 6 meses. A desatenção pode, com freqüência, ser uma característica clínica importante nesses casos”. 

O quadro psicopatológico que define o transtorno de déficit de atenção/hiperatividade, apesar de possuir suas particularidades, nem sempre mostra-se fácil de se compreender e avaliar. Isto porque, não raro acontece de um sintoma prevalecer sobre o outro, originando manifestações comportamentais e sintomatológicas distintas. Desta forma, em alguns indivíduos acometidos, prevalece sintomas de desatenção, enquanto em outros prevalece os sintomas de hiperatividade/impulsividade, e em outros ainda, aparece todos esses sintomas em proporções bastante semelhantes. 

O DSM-IV (2001) também classifica como Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade Sem Outra Especificação os casos onde há predomínio da tríade de sintomas (desatenção, hiperatividade-impulsividade), porém estes não suficientes para se fechar o diagnósticos devido ao fato destes sintomas terem aparecido depois dos 7 anos de idade. O mesmo se dá quando o indivíduo possui comprometimento importante no que tange a atenção, mas seu padrão sintomático não satisfaz todos os critérios para o transtorno, acrescido por um padrão comportamental marcado pela indolência, devaneios e hipoatividade.

Como é possível perceber, o transtorno de déficit de atenção/hiperatividade varia de forma significativa em intensidade, nas características e na forma como se manifesta. No entanto, acontece de muitas pessoas apresentarem alguns sintomas do transtorno, mas estes serem insuficientes para preencher os critérios para o diagnóstico de TDAH, ou então esses sintomas existentes no sujeito não se manifestarem com a intensidade e a freqüência necessárias para se caracterizar o transtorno. Neste caso, estaríamos em frente a uma pessoa com um traço de TDAH.

Utilizando uma definição bastante interessante para explicar o que seria um traço psiquiátrico num sujeito. Os traços formam um esboço de algo, mas não são suficientes para se fazer a “arte final. No entanto, um esboço não é uma figura amorfa. Ele aponta para algo.” Através de uma metáfora, que o traço é algo como se fosse uma figura tracejada, na qual você consegue distinguir uma forma, mas que se mostra com um contorno descontínuo e insuficiente, faltando alguns pedaços que impedem que a figura se mostre com clareza.

Enfatizo que pessoas com traço TDAH podem ou não procurar auxílio profissional, pois os sintomas que apresentariam, por serem em menor número e com intensidade e frequência não tão relevantes, mais dificilmente implicariam em sofrimento e prejuízo significativo, tal qual o é para quem tem de fato o transtorno, e isso não o atrapalharia tanto em suas atividades cotidianas.

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