quinta-feira, 8 de maio de 2014

Vítimas de violência na infância ou na adolescência têm, pelo menos, duas vezes mais chances de se tornarem viciadas em drogas ou álcool no futuro.


Pessoas que foram vítimas de violência na infância ou na adolescência têm, pelo menos, duas vezes mais chances de se tornarem viciadas em drogas ou álcool no futuro. A conclusão faz parte do segundo Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). O estudo revela que nada menos que 21,7% da população brasileira relatam ter sofrido algum tipo de abuso quando criança. Entre os alcoólatras, esse percentual sobe para 45,7%. Já no grupo dos que se declararam consumidores de maconha o índice alcança 47,5%, chegando a 52% entre os usuários contumazes de cocaína.

Apesar de o estudo não permitir a separação por tipos específicos de abusos, dada a dimensão da amostra — 4.067 pessoas ouvidas em 149 municípios brasileiros —, a sua coordenadora, Clarice Sandi Madruga, acredita que as vítimas infantis de violência sexual, particularmente, têm chances ainda maiores de derivar em adultos dependentes.

— A violência sexual pode aumentar em até quatro vezes a chance (de a pessoa se tornar viciada). É o tipo de abuso que mais causa risco — sustenta.


A pesquisa foi levada a cargo pelo Instituto Nacional de Políticas Públicas de Álcool e Outras Drogas (Inpad) da Unifesp e indicou que 5,3% dos pesquisados disseram ter sofrido violência sexual. Clarice Sando Madruga destaca que as pessoas que foram abusadas acabam ainda tendo mais problemas para se livrar do vício:


— O abuso sexual é o mais irreversível. Existem estudos que acompanham a pessoa no decorrer da vida e constatam que é muito mais difícil deixar de sofrer um impacto permanente.

A relação entre violência e uso de drogas também varia de homens para mulheres. Os dados mostram que 56,5% das mulheres que sofrem com alcoolismo relataram ter sofrido alguma violência na juventude. Entre os alcoólicos do sexo masculino, o percentual é de 42,1%. Quando a pesquisa se volta para os viciados em cocaína, os percentuais se invertem. Entre os homens, 55% relataram ter sofrido agressões; entre as mulheres, 37%. No caso dos usuários de maconha, 50% dos homens afirmaram na pesquisa que sofreram violência na infância ou na adolescência, contra 29% das mulheres.

Leia mais: O Globo

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