sexta-feira, 23 de outubro de 2015

AUTOMUTILAÇÃO: Quando ferir a si mesmo parece ser a única saída

De tudo que existe no mundo, o corpo é o nosso único bem que de fato possuímos. Para alguns, o corpo é um templo sagrado, que merece todos os cuidados, desde os estéticos, até os físicos e emocionais. Entretanto, para parte da população, principalmente adolescentes e jovens adultos, o corpo também serve como uma forma de expressar problemas emocionais, por meio da automutilação ou cutting.
A automutilação é um comportamento intencional de agressão ao próprio corpo, porém sem intenção de suicídio. Além disso, tem padrão de repetição e as lesões são superficiais, na maior parte dos casos. Em geral, cortar a pele, queimar-se, bater-se, morder-se ou arranhar-se são as formas mais comuns de automutilação. Quem pratica a automutilação prefere escolher áreas do corpo de mais fácil acesso, como braços, pernas e peito.
Normalmente, a automutilação tem início na adolescência, entre os 13 e 14 anos e persiste de 10 a 15 anos. Vale lembrar que a continuidade do problema, em geral, está relacionada à presença de outros transtornos psiquiátricos. Segundo alguns estudos, a automutilação é mais prevalente em adolescentes e parece estar aumentando nos últimos anos.
Em um estudo norte-americano de 2011, constatou-se que 6% da população geral praticou pelo menos uma vez um ato de automutilação e 1% praticou por 10 anos ou mais. Outro estudo, que considerou apenas adolescentes em idade escolar, mostrou que 45% deles já havia praticado um ato de automutilação.
Na maioria dos casos, a automutilação é um dos critérios de diagnóstico para o transtorno da personalidade borderline ou ainda pode estar ligada a outros transtornos mentais. Somente um médico psiquiatra pode avaliar o paciente e dar o diagnóstico adequado e, quanto mais cedo isso for feito, melhor será o prognóstico.
As causas que levam uma pessoa a ferir-se intencionalmente são multifatoriais e estão ligadas a fatores de risco, que envolvem: características pessoais – insegurança, baixa autoestima e impulsividade, etc. – transtornos psiquiátricos (borderline, depressão, etc.), problemas na infância (negligência, abusos e estresse), dificuldades sociais (bullying e dificuldades no relacionamento), assim como o familiar, que envolve pais ausentes, divórcio e violência doméstica, entre outros.
Antes de um episódio de automutilação, é comum que a pessoa passe por momentos estressantes que acabam desencadeando sentimentos como raiva, medo, ansiedade e perda do controle, assim como culpa e sensação de rejeição. A automutilação está ligada à incapacidade de lidar com os próprios sentimentos e, ao contrário do que se pensa, a pessoa não busca dor física e nem atenção, ela apenas procura uma forma de aliviar sua tristeza e sua dor emocional.

A dica para os pais de adolescentes e jovens é prestar atenção ao comportamento dos filhos. A adolescência é uma fase de transição muito importante e cheia de conflitos emocionais, por isso o risco do problema aparecer nessa fase é maior. Cabe aos pais darem apoio e oferecer ajuda, além de encaminhar esse indivíduo para um psiquiatra e um psicólogo, que poderão propor um tratamento adequado e eficaz.

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