sábado, 25 de julho de 2015

Como lidar com os medos infantis

Toda criança sente medo de alguma coisa. É natural e esperado que as crianças sintam medo. A ausência dele é até preocupante. Se a criança não sente medo instintivo de altura, por exemplo, pode caminhar até um local alto e cair.

Entre os 3 e 5 anos a criança está na fase natural dos temores. A imaginação assume papel preponderante. Medo de trovão, de escuro, de dormir sozinho são medos naturais e à medida que a criança amadurece emocionalmente ele desaparece. São medos comuns sendo transversais à várias culturas e civilizações. Ocorrem geralmente na hora de dormir, quando a criança precisa se separar fisicamente dos pais, momento que ela se sente “desprotegida”.

O papel dos pais é muito importante para facilitar este processo. Para ajudar seu filho, respeito e apoio são fundamentais, mas não é tudo. É preciso ter compreensão. Mostrar que é normal sentir medo. Conversar bastante com a criança. Perceber o que elas estão fazendo para lidar com o seu medo. Qual o artifício usado por ela para driblar o medo.

Quando a criança é muito pequena fica difícil reconhecer o que a assusta. Ela não consegue explicar e muitas vezes nem quer falar sobre o assunto. Quando  sente medo de ficar sozinha no quarto porque tem um monstro no armário, os pais podem conversar com ela, mostrar o armário aberto, ou até mesmo, entrar na fantasia da criança, dar segurança a ela trancando o “monstro” no armário já que ela tem medo, pode ser uma saída. Aceitar que ela corra para sua cama pode ser mais fácil, mas não é a melhor saída porque ela pode confirmar que seu medo se justifica. Ajudar a criança a encarar o medo é a melhor forma. É preciso que os pais reconheçam o medo da criança como um sentimento verdadeiro. Além disso, que eles possam reconhecer que o medo é algo que a criança está falando. Porque ao falar de um medo a criança está tentando expressar algo que a angustia. Se os pais podem conversar com a criança, escutá-la e percebem a importância disso, podem ficar tranquilos.

Porém, nem sempre o apoio dos pais é o suficiente. Neste caso é necessário procurar ajuda profissional. O medo intenso pode provocar sofrimento para a criança. O importante é perceber as mudanças de comportamento. Elas podem ser sinais expressivos de que o temor passou dos limites.

Quando o medo é maior que o normal, ele se torna uma fobia. Isso depende de que se perdure no tempo sem se transformar. Se o medo vai se transformando de uma coisa em outra, este processo é normal na infância. Geralmente, os pais se dão conta de que o medo está excessivo porque eles são muito solicitados. A criança fica com tanto medo que perde a autonomia. Se a criança tem medo de escuro, pedirá que os pais fiquem com ela até dormir ou irá para a cama deles. Se tem medo de cachorro, não ficará sozinha em ambientes que tenha o cachorro.

O medo é um limite “auto imposto” e por isso é muito importante na formação do psiquismo. Quando muito pequena a criança precisa que os pais lhe mostrem os limites. Quando aparecem os medos, a criança vai criando seus próprios limites, aprendendo a noção de perigo, perdendo a onipotência, se sentindo mais frágil.


Quando esses medos não são resolvidos na infância ele continua até a vida adulta. A maioria dos medos dos adultos vêm da infância e permanecem quase idênticos. Neste sentido, o medo adulto indica uma subjetividade que permaneceu no infantil.

Fonte: Instituto Randolph Carter  Por Joana Autran 

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