sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Michel Foucault e os 50 anos de História da Loucura: Inflexões, Ressonâncias


Um evento para a comemoração da passagem dos 50 anos de História da Loucura – será que é a isto a que atende o evento? Diríamos que sim. Embora saibamos que se trata aqui de uma de suas metades. Porque se trata, é certo, desta evocação. Remontar à letra que desde o livro se deflagra como máquina de guerra. Remontar à letra que é desde o livro. Todavia – ela não se encerra no livro, ela não encerra o livro, pelo contrário, ela o esgarça, ela o desvira para fora, ela o vilipendia de algum modo. Foucault, no curto prefácio à 2ª. edição de História da Loucura, busca situar seu livro ‘numa série de eventos ao qual ele pertence, e que é sua verdadeira lei’.
São como pistas de ingresso a sua leitura. São indicativos de que o livro ele não se contém. São sugestões a que se percebam os contornos, os vieses aos quais um livro ele reverbera, ele rebate, ele é emudecido, ele se faz vetor de lutas que em última instância não constavam do projeto a que atendeu o trabalhar até que um livro se faça. Foucault dirá ainda com relação a esta ‘série de eventos’ que ela não está concluída. Disse isto em 1972.
Perguntamo-nos no agora, este ano de 2011: será se encerrara esta série de eventos aludida por Foucault? Será podemos dizer que tudo o que pode História da Loucura agora é tão somente uma data a que se comemora – data estancada às contendas a que ele atendia, data envelhecida cravada à parede na que se cola os deveres para com a efeméride? Apostamos que não! O seminário é esta aposta! 
Por André Queiroz

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