quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Reforçamento Positivo na Análise do Comportamento Definição e aplicações clinicas

Dentro de uma abordagem Analítico-comportamental, o reforçamento positivo está presente em muitas técnicas e sem duvida é um princípio importante para a mudança comportamental. Entender o conceito e a aplicação é fundamental para o analista do comportamento articular as sessões para que classes de respostas-alvo sejam constantemente reforçadas a fim de se mudar um comportamento problema, caso seja este o objetivo.
 
O terapeuta deve no início ser um agente reforçador por si só, já que o cliente o tem como alguém que pode ajudá-lo e qualquer ato ou palavra que alivie o sofrimento já tem um papel reforçador para respostas de compromisso e maior aderência ao processo psicoterápico. Ainda podemos falar que esses processos aprofundam e melhoram a relação terapêutica que se está sendo estabelecida entre terapeuta e cliente.
 
Ao lidar com o reforço positivo são necessários cuidados; é preciso estabelecer um criterioso levantamento de dados e fazer uma boa análise funcional para definir a princípio qual é o melhor esquema de reforçamento para o caso do cliente dentro dos objetivos da terapia.
 
Alguns clientes funcionam sobre um esquema de contingência de reforço positivo muito infreqüente. Isso significa que esses clientes têm uma tolerância à frustração muito grande. Sendo assim, acabam não sendo sensíveis a novas contingências reforçadoras e não operam no ambiente, pois já se acostumaram a suportar frustração e condições aversivas. Nesse caso, mantêm seu comportamento inalterado, mesmo que seu padrão de respostas produzam conseqüências aversivas.
 
Clientes que são expostos a contingências de total privação ou de privação moderada de fontes reforçadoras experimentam um intenso sentimento de culpa assim que os reforçadores são apresentados. Isso acontece por possuírem repertórios modelados de uma extrema tolerância à frustração (Guilhardi, 2002, p. 136).
Contingências de reforçamento positivo escassas podem dificultar a geração de repertórios comportamentais capazes de produzir reforçadores em ambiente natural intrinsecamente, precisando sempre de esquemas de reforço extrínseco e sugerindo baixa auto-estima e dificuldades em relacionar-se em um ambiente social. Com isso, pode-se dizer que o indivíduo sofre um impacto negativo em sua variabilidade comportamental e, portanto vai ter dificuldades em buscar novas formas de reforçamento.
 
Segundo Horcones (Apud Madi, 1983), as palavras “extrínseco e intrínseco” referem-se apenas à origem das conseqüências. Se o cliente ao responder a estímulos discriminativos obtém uma conseqüência reforçadora, dizemos que o reforçamento é intrínseco e com isso se configura em uma resposta naturalmente reforçada.
 
Quando o responder do cliente é reforçado pelo ambiente através do terapeuta, dizemos que o reforço é extrínseco e arbitrário, já que foi possibilitado por outra fonte que não seja o próprio responder do sujeito. Em outras palavras, quando falamos de reforçamento positivo intrínseco, nos referimos a uma relação entre resposta-conseqüência em que a conseqüência é produto direto da resposta. Quando falamos de reforçamento positivo extrínseco, vamos nos referir a uma relação conseqüência-resposta em que a conseqüência depende da própria resposta do indivíduo somado a outros eventos.
 
O reforçamento intermitente é mais eficaz que o CRF por facilitar a variabilidade comportamental, já que torna a sessão mais próxima ao ambiente natural onde é preciso operar no ambiente e algumas respostas vão ser reforçadas e outras, não.
 
O reforçamento de esquema intermitente mostra melhores resultados porque aumenta a tolerância à frustração e obriga o indivíduo a continuar operando para receber o reforço que outrora era sempre apresentado. Isso é especialmente verdade quando falamos de comportamento social, onde algumas respostas são reforçadas e outras entram em extinção.
 
O reforçamento positivo é um processo que consiste em apresentar um estímulo conseqüente que aumente a probabilidade da emissão de respostas. Dentro do contexto clinico, é importante determinar respostas que devem ou não ser conseqüenciadas positivamente.
 
Mas também é sabido que, como no caso da psicoterapia o reforço é obtido dentro do contexto clínico, pode ser que o mesmo reforço não seja produzido em ambiente natural. É necessário que o terapeuta também ajude o cliente a instrumentalizar-se para obter esses reforços fora do contexto clínico, podendo generalizar fontes reforçadoras obtidas através de um novo repertório comportamental que foi ou está sendo modelado em terapia.
 
A terapia seria falha se o cliente só conseguisse operar em um ambiente clínico e só fosse reforçado nesse ambiente, não levando novos repertórios para seu ambiente natural. O reforço extrínseco deve ser capaz de instalar novos repertórios comportamentais para que o reforço seja intrínseco ao comportamento do cliente. Nesse caso, acontecerá a generalização e conseqüentemente repertórios inadequados, não assertivos e agressivos vão ser extintos.
 
Em alguns casos o terapeuta sozinho não consegue modelar novos repertórios comportamentais apenas em um ambiente clínico. Para esses casos, o trabalho conjunto com o A.T. (Acompanhante Terapêutico) mostra resultados interessantes. O terapeuta como fonte reforçadora em ambiente clínico modelando novos repertórios comportamentais e o A.T. como fonte reforçadora externa ao contexto clínico e, em alguns casos mais graves, como modelo de novos repertórios para o cliente.
 
Texto Completo em: Comporte-se

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