domingo, 28 de outubro de 2012

PROJEÇÃO

Conhecemos a nós mesmos atráves das pessoas, coisas e situações que nos agradam e desagradam. A projeção é a forma como a psique interage com o mundo e se distingue dele. Ela pode ser positiva ou negativa; sobretudo, ela é um mecanismo psíquico geral perfeitamente normal (Jung). Projetamos os traços que admiramos (mas acreditamos não pertencerem a nós) sobre heróis e figuras públicas, ou simplesmente sobre o colega, o vizinho, ou o amigo. Criamos ídolos e indivíduos poderosos a partir de nossas própria “carne” psicológicas. Empoderamos-os de nosso próprio poder, porque eles são “o que nós, infelizmente, não somos”.

 
O que acontece com o endeusamento dessas figuras é que desta forma não precisamos nós mesmos nos levantar e arregaçar as mangas. Dá muito trabalho transformar um sonho em realidade, mudar de padrão, ou ser qualquer coisa queiramos ser. Ídolos, como ursinhos de pelúcia, são agradáveis, podem ficar na prateleira e nos lembrar que uma vida bonita de fato existe… Mas vamos voltar agora para o sofá, relaxar e comer umas pipocas!

O mesmo se aplica às projeções negativas. Nos livramos do que é desagradável de encarar jogando-o sobre outra pessoa. Nós literalmente vestimos a outra pessoa com nossas fantasias. É outra forma de criar um mundo confortável: nós temos os ídolos numa prateleira e os maus elementos na outra. E nós o que fazemos? Nós podemos confortavelmente esticar nossas pernas naquele mesmo sofá e…!

Para transformar a projeção em um recurso para o auto-conhecimento é preciso enfrentar o suado processo de olhar para si mesmos e pôr em funcionamento o trabalho psicológico. Menos a pessoa for consciente mais suas projeções serão como balões gigantes, flutuando bem além da realidade. Entretanto, há um gancho. Os objetos de nossa projeção têm algo a ver com ela.

Não somos malucos que vêem um cavalo e projetam sobre ele um macaco. Os ídolos possuem algumas das qualidades que lhes damos. A pessoa má possui um mau caráter. A questão é que a projeção inconsciente cria absolutos. Daí os ídolos se tornam Os Ídolos, e a pessoa má vira O Demônio. É a parte infantil dessa história.

Uma vez que você adquirir consciência de suas projeções, ídolos e demônios continuam existindo, mas você não se sente mais tão mexido com eles. Você deixa de ser um pio seguidor de novos ídolos ou um fofoqueiro dos maus caráteres. Crescer para além das projeções é uma forma de liberdade. Agora você compreende por que aquelas pessoas são do jeito que são e aprende algo de importante a respeito de si mesmo. Então, simplesmente, você vai adiante.
Por Adriana Tanese Nogueira

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