segunda-feira, 17 de outubro de 2011

CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIA MENTAL LEVE: Como diagnosticar e identificar a Deficiência Mental em Crianças

É importante identificar e reconhecer os sinais da deficiência mental e do autismo infantil em crianças escolares para que as limitações não se tornem mais penosas e dificultosas no convívio social e escolar.

De acordo com o Manual de Diagnóstico e Estatística de Distúrbios Mentais (DSM-IV, 1995) da American Psychiatric Association, as características essenciais do retardo mental são:
  • critério A : funcionamento intelectual significativamente inferior à média;
  • critério B: acompanhado de limitações significativas no funcionamento adaptativo em pelo menos duas das seguintes áreas de habilidades: comunicação, autocuidados, vida doméstica, habilidades sociais/interpessoais, uso de recursos comunitários, auto-suficiência, habilidades acadêmicas, trabalho, lazer, saúde e segurança;
  • critério C: o início deve ocorrer antes dos 18 anos (DSM-IV, 1994, p. 39).
É necessário que estas três condições estejam presentes para que um indivíduo seja considerado deficiente mental, para não ser cometido o engano devido a  um comportamento adaptativo prejudicado ou um quociente de inteligência rebaixado.


A classificação de deficiência mental é composta de quatro graus:

Deficiência Mental Leve                      (QI 50-70)
Deficiência Mental Moderada              (QI 36-50)
Deficiência Mental Severa                   (QI 35-20)
Deficiência Mental Profunda                (QI 0-20)

Para elaboração do presente trabalho, será abordada apenas a Deficiência Mental leve (DM leve), pois entende-se que a inclusão contempla esta categoria.

De acordo com o DSM – IV, a DM leve ou os chamados pedagogicamente de “educáveis” é  o maior grupo de portadores de necessidades especiais, atingindo cerca de 85% dos indivíduos deficientes mentais.
Outra fonte bastante utilizada é a Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento da CID-10, que nomeia a infra-dotação diferente do DSM-IV, usando a terminologia retardo mental.

Segundo a CID-10 as categorias existentes são as seguintes:
Retardo Mental Leve                  QI (50-69)
Retardo Mental Moderado         QI (35-49)
Retardo Mental Grave                QI (20-34)
Retardo Mental Profundo           QI ( abaixo de 20)

De acordo com a CID-10, pessoas com retardo mental leve são capazes de total independência em cuidados próprios, potencialmente capazes de trabalhar em atividades práticas como trabalhos manuais e têm habilidades domésticas.

No que se refere ao êxito escolar, muitos têm problemas referentes à leitura e escrita, dificuldades na memorização de sons e imagens, na  elaboração de conceitos, na imaginação, criatividade, o vocabulário é empobrecido e dificulta a compreensão de instruções, dificuldade na atenção e concentração, mas são capazes de superar esta dificuldade com uma educação planejada (Mendes, 1996).

Segundo Assumpção Junior (apud Louzã Neto, 1995), a DM leve ou Retardo Mental Leve,  atinge cerca de 2 a 3% das crianças em idade escolar, não apresentam grandes prejuízos quanto à adaptação social, na comunicação e torna-se difícil diferenciá-los das crianças sem deficiência mental durante a infância. Na adolescência podem chegar a cursar até a 6ª série (atual 2º ano do ensino fundamental II), mas seu nível de pensamento permanece na escala piagetiana das operações concretas (Louzã Neto, 1995). Ao chegar à idade adulta, têm capacidade de se sustentar economicamente, adquirir uma profissão e estarem inseridos na sociedade de forma adaptada. As dificuldades dos Deficientes Mentais Leve ou Retardados Mentais Leve são bem próximas à das pessoas que possuem inteligência considerada normal (DSM – IV e CID-10).

Reconhecendo a capacidade que o portador de deficiência mental leve possui, busca-se através da inclusão escolar, garantir da melhor maneira possível o desenvolvimento do potencial destes indivíduos em um ambiente que visa transmitir o conhecimento produzido através das gerações à todos os cidadãos, sem exceção .

É importante lembrar que as limitações e dificuldades dos portadores de deficiência mental leve não desaparecerão, mas a inclusão escolar e social poderão facilitar e garantir melhorias na qualidade de vida destes indivíduos.

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